Mulheres, casem-se para fazer seus maridos felizes

Eu já perdi a conta de quantas pessoas me procuraram sofrendo as dores do coração. Eu mesma coleciono algumas “derrotas”.

Costumo argumentar com estas pessoas que nós sofremos as dores das expectativas. Sofremos pelo que deveria ter sido e não foi. Sofremos por que ele ou ela não cumpriram com o que deles era esperado. Sofremos de promessas.

A questão é: você está à altura da expectativa do outro? O que você tem para oferecer? O que você está disposto a compartilhar? Nós erramos ao acreditar que somos iguais, mulheres e homens. Isto não é verdade do ponto de vista dos gêneros e não é verdade do ponto de vista individual. Tendemos a olhar o outro por uma ótica bem particular: a nossa.

Acreditamos que os outros devem acrescentar boas coisas nas nossas vidas. Até aqui, nada errado. O problema é esperar que o outro nos faça felizes.

 

Mas, você já se pensou em se casar para fazer alguém feliz?

Suponho que muitas das mulheres com quem eu convivo responderiam atônitas a esta pergunta com um sonoro “Você está doida? Por que ELE não se casa para ME fazer feliz?”.

Nós, mulheres, estamos nos tornando inimigas dos homens. Outro dia uma dessas mulheres, jovem, vinte e poucos anos, universitária, me disse orgulhosa: “Eu tinha os cabelos loiros e perguntei para o meu namorado o que ele acharia se eu colorisse meus cabelos de castanhos. Ele disse que detesta cabelos castanhos. Imediatamente marquei o salão e colori meus cabelos de castanhos”. Diante das minhas interrogações sobre o porquê deste comportamento e qual era seu objetivo, ela parecia cada vez mais confusa.

Adianto que não consegui qualquer resposta lógica ou plausível. O que veio depois disso foi uma série de tentativas de dizer de um comportamento que ela mesma começava a perceber como incoerente.

Expliquei que este era um comportamento passivo-agressivo e tentei entender as razões para isso. Ela evidentemente, não soube explicar e parecia realmente acreditar que este era um comportamento favorável para seu relacionamento, como se a partir disso, estivessem estabelecidos os limites e que seu parceiro então entenderia que não poderia dominá-la ou subjugá-la.

Quais são as raízes das nossas crenças? Por que pensamos como pensamos?

O que será que a fez pensar que ele gostaria de dominá-la? Será que esta agressividade velada era mesmo dirigida a ele? Ou seria um comportamento de desprezo aprendido e repassado a todo e qualquer homem com quem ela venha a se relacionar?

Eu fico com a segunda hipótese. Estamos ressentidas como os homens e parece-me que estamos repetindo um padrão de comportamento presente em nossa cultura já há algumas décadas, para se dizer o mínimo: o da “descartabilidade” dos homens.

Nas minhas salas de aula, seja na graduação ou na pós-graduação, não sei por qual razão, os assuntos sempre tomam um pequeno desvio para as relações amorosas.

As falas destas “meninas” são normalmente carregadas de raiva, pessimismo e desesperança; o que é particularmente trágico por se tratar de pessoas ainda tão jovens!

Elas se referem aos comportamentos masculinos como traiçoeiros, perversos e escorregadios. Nesta hora me pergunto se elas estão me dizendo de suas próprias experiências, ou se estão repetindo frases prontas de outras mulheres.

O ciclo do drama

E para completar o drama, estas meninas revidam. Mais ou menos como na lei do Olho por olho, dente por dente. Elas agem com os “meninos” da mesma forma que acreditam que eles se comportam com elas, criando um ciclo vicioso de desilusão e decepção.

Foto de Nathan McBride (Unsplash)

Mas, o fato é que estamos sendo ensinadas a desprezar os homens. Não nego que as mulheres foram e são oprimidas por uma categoria de homens, mas não podemos confundir a categoria homem com os indivíduos. Se você foi um dia maltratada ou diminuída por um homem, resolva isto com este homem. Não transfira o comportamento de um indivíduo para toda a classe masculina.

E, principalmente, não transfira isso para o homem que você escolheu dividir sua vida. Entenda que no casamento não há “lados” e que você escolheu aquele homem para construir uma vida. Case-se para fazer seu marido feliz e seja feliz também!

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM yezz.news

O casamento morreu?

Eu sou uma pessoa que gosta de começar pelo final. Assim sendo, já vou logo respondendo à pergunta título deste artigo: não, o casamento não morreu. Mas, está com os dias contados!

Ouvimos desde a infância que todas as mães amam seus filhos, que devemos amar o próximo, que casamento, só por amor! Qualquer outro motivo para casar é considerado no mínimo leviano. E as pessoas falam, cochicham, fofocam sobre a tal “interesseira” que se casou por dinheiro… Mal sabem estas pessoas que casamento por amor é invenção recente, que os casamentos nem sempre foram feitos entre dois indivíduos e que o amor, este talvez tenha sido o último a entrar nesta equação.

 

A verdade é que muitas pessoas se casam por que temem a solidão. No entanto, o fato é que o casamento pode ser muito mais solitário que suas alternativas. Em nossa sociedade, muito diferente de outros períodos da história humana, o casamento tende a afastar as pessoas da comunidade e a enfraquecer os laços com as famílias de origem, amigos e colegas.

Os casamentos nem sempre foram como conhecemos hoje

Curiosamente, os casamentos no mundo primitivo eram grupais e tinham como uma das suas principais funções a proteção contra as ameaças da natureza. A sobrevivência era o principal objetivo e para isso, o homem primitivo devia copular rapidamente e sem restrições. A maternidade era óbvia, mas a paternidade não. Levou alguns milhares de anos até que a humanidade entendesse a relação entre sexo e procriação. Noções de moral, culpa, infidelidade e pecado não existiam nessa época.

Assim, os casamentos grupais eram possíveis enquanto o comportamento sexual permanecia instintivo e fora do controle consciente. Mas, uma vez que o mistério da concepção foi revelado e a ideia de “propriedade” começou a existir entre os homens primitivos, o conceito de sexo/casamento grupal se tornou insustentável e teve decretada sua sentença de morte. Para sempre. A revolução sexual da década de 70 que o diga!

 

A grande questão é que a morte do casamento grupal levou com ele a igualdade de gênero. Olhe a sua volta. Procure por homens e mulheres com mais de 30 anos que ainda não se casaram. O que você pensa deles? Como você acha que as outras pessoas os vêem? Provavelmente você irá perceber que os homens são tidos como independentes ou inteligentes enquanto as mulheres na mesma situação são vistas como desesperadas, dignas de pena e são muitas vezes tratadas como mercadorias perecíveis.

Como nascem as crenças?

Desde a infância as meninas são doutrinadas a desenvolverem as virtudes do casamento, o que contribui para o fortalecimento dos papéis de gênero. Esta ideologia educa os meninos como guerreiros e responsáveis pelas decisões e as meninas como mães e donas de casa. Os meninos são incentivados a serem corajosos e fortes enquanto as meninas são incentivadas a serem belas e passivas.

Há alguns poucos anos um dos meus sobrinhos que tinha 4 anos. Estávamos visitando minha mãe e eu digitava algo em meu laptop. Ele se aproximou de mim com uma imensa interrogação tatuada na testa. Perguntei o que era e ele me disse: Titia, você é homem!

Diante do meu espanto ele se explicou: Você dirige aquele carro; você tem dinheiro e comprou este computador, então, você é homem!

A realidade é que todas as mulheres da minha família trabalham e fazem seu próprio dinheiro, com exceção da mãe dele. E este é o modelo que está presente na vida dele e este é o modelo que ele entende. E é provavelmente assim que ela quererá sua parceira/esposa.

Quando crianças nós lutamos para entender o mundo e buscamos sentido para os eventos e objetos. Precisamos aprender o mais rápido possível o que é e o que não é e para isso utilizamos categorias, como homem e mulher, por exemplo.

E assim crescemos: cheios de certezas e regras do que deve e do que não deve. E assim nos casamos. Mas, diferentemente do que acontecia há algumas décadas, atualmente homens e mulheres não têm as mesmas necessidades sociais e econômicas de permanecerem casados como no passado. Por isso, acredito que ESTE casamento não tem futuro. Casamentos não permitem hierarquia e nenhuma das partes deve, jamais, se sentir oprimida.

Mas, como evitar que isso aconteça?

Primeiro, devemos deixar de lado a ideia de que devemos nos casar com “A pessoa”. Sabe aquela pessoa especial, única? Pois é, ela não existe. Não podemos acreditar que “A pessoa” será nosso melhor amigo, um amante apaixonado, um incentivador intelectual, bonito, inteligente, que irá nos proporcionar senso de segurança, aventura e mistério, tudo ao mesmo tempo. Isto é impossível!

Segundo, é especialmente importante que comecemos nossos relacionamentos como amigos. Somente a partir daí poderemos construir casamentos baseados no respeito mútuo e na igualdade, com equilíbrio entre as expectativas e as responsabilidades.

Bom casamento!

 

Texto publicado originalmente em yezz.news.