VICIADO EM AMOR: COMPREENDENDO CICLOS DE DRAMA

Você já ouviu alguma das seguintes frases?

1- “Como posso amá-la um minuto e odiá-la tanto no próximo?”

2- “Eu sinto que ele é minha alma gêmea, então, por que brigamos constantemente?”

Provavelmente sim. Estes são questionamentos muito comuns para pessoas que vivem relacionamentos “dramáticos”.

Grande parte dos relacionamentos amorosos eventualmente se transforma em relação de amor e ódio. Os sentimentos de amor podem se transformar em drama (hostilidade, ataque ou falta de carinho) e grande parte das pessoas acredita que essa dualidade de prazer e dor seja normal. Há uma tendência (alguma crença coletiva) em acreditar que, se existe amor, tudo “funcionará”.

Foto de Mike Wilson

Infelizmente, este não é o caso. A realidade é que o relacionamento provavelmente piorará e outras áreas de sua vida começarão a ser afetadas. Isso pode se manter por algum tempo, mas como tem uma tendência a crescer e piorar, o relacionamento é destruído.

O ciclo de amor e ódio é um vício destrutivo: ao mesmo tempo que te faz se sentir tão bem, te come vivo. O resultado deste jogo são (pelo menos) dois farrapos de pessoas, esgotadas física e emocionalmente e cheias de cicatrizes emocionais.

No fundo, no fundo, isto não é o que você quer, não é mesmo?

Se você quiser parar o ciclo amor e ódio você precisa saber por que isso acontece e como mudar antes que o relacionamento te enlouqueça ou acabe.

Primeiro, vejamos por que o drama começa entendendo o caminho de um relacionamento típico. No primeiro momento você está “apaixonado”. Você se sente vivo e sua vida ganha significado – alguém precisa de você, te deseja e isto te faz sentir especial. Você se sente completo e este sentimento pode ser tão intenso que o resto do mundo se torna insignificante. Parece que você está curado – sua dor desapareceu. (Embora, na realidade, estejam apenas temporariamente encobertas). O segundo momento parece ótimo até que seu parceiro não atenda às suas necessidades ou expectativas de alguma forma. Você desenvolve uma sensação de carência e dependência. No terceiro momento, já viciado na outra pessoa (ou melhor, pelos sentimentos de euforia que experimenta devido às reações químicas e hormônios produzidos por seu cérebro quando você está “apaixonado”), ele ou ela se torna sua droga. Você fica bem quando estão juntos, mas mesmo a possibilidade de perdê-lo pode levá-lo a sentimentos de medo, abandono e rejeição. Quando os efeitos da “droga” passam no quarto momento, você novamente sente a dor que já sentia antes do relacionamento. Desta vez, no entanto, você acredita que seu parceiro é a causa. O drama começa no quinto momento. Aqui começam os ciúmes e ressentimentos e você se ofende por praticamente tudo o que seu parceiro faz e diz. Você se torna possessivo e controlador, começa a exigir, criticar, julgar, culpar e atacar… tudo isso na tentativa de coagir seu parceiro para voltar a atender suas necessidades. Então, você começa o ciclo amor e ódio – mas, agora você não é apenas viciado no amor, também está viciado no ciclo do drama. Isso faz você se sentir vivo. Por que isto acontece? Já ouviu a frase: “Não há nada como sexo depois de uma briga”? A razão disso é que quando você se acalma o cérebro libera dopamina e serotonina, te levando a sensações de felicidade e euforia. Infelizmente este estado não dura muito (como todas as drogas) e seu corpo começará logo a procurar adrenalina novamente. Com o tempo será necessário aumentar a dose ou procurar alternativas para alimentar o vício. Em outras palavras, quanto mais você briga, mais vai precisar brigar para liberar a mesma quantidade de adrenalina.

Há uma crença de que são as mulheres que criam os dramas nas relações. Tendemos a ver as mulheres como mais emotivas, mas o que acontece na verdade é que elas expressam mais emoções que os homens. E embora uma pessoa possa começar o drama, é preciso duas pessoas para que o drama se mantenha. O casal pode, sim, ainda que inconscientemente, criar muito drama. Geralmente isto acontece em forma de “birras”, jogos, crises de raiva e gritos. Mas, por que as pessoas causam drama nas relações?

Foto de Nathan McBride

Algumas pessoas são inseguras e precisam de constante afirmação e atenção. Pessoas com baixa autoestima são mais propensas a serem irracionais, forçando a demonstração de carinho e apreciação da parte do outro. E quando isso não acontece surgem os sentimentos de medo da perda. A pessoa pode começar a se sentir cada vez mais insegura e isso gera ciúmes. Dependendo do casal isso é o suficiente para iniciar o ciclo de drama e uma vez que a relação se encha de drama, é muito difícil pará-la, pois, é muito difícil abrir mão da sensação boa que vem com a reconciliação.

Para piorar a situação, com o tempo a pessoa depositária da culpa não será mais capaz de gerar a mesma resposta fisiológica e aquele que provoca o drama a trocará pela próxima presa.

Claro que não é bom assumir nenhum dos dois papeis nesta relação disfuncional, mas é obviamente pior para a pessoa saudável que é abusada verbal e emocionalmente e depois rejeitada.

Se você se vir envolvido numa relação cheia de drama, tente evitar a ansiedade do parceiro fazendo-o se sentir seguro. Você pode reforçar os comportamentos que você gosta e ignorar aqueles que você não gosta. Quando seu parceiro se acalmar, agradeça pelos bons momentos que passaram juntos (tem que ser sincero, viu!?). Quando ele fizer drama, se recuse a entrar em discussões sobre os mesmos velhos problemas.

Frequentemente as pessoas dramáticas irão tentar acusá-lo de louco. Eles não querem se responsabilizar pelos próprios comportamentos e irão tentar jogar a responsabilidade pra você. Quando isso acontecer, se afaste.

E esteja atento aos efeitos colaterais: sem drama e sem o sexo pós-briga você pode não ter mais interesse nesta relação. Nesta hora você estará pronto para seguir em frente e encontrar alguém que possa ser apaixonado sem ser neurótico.

E aproveite! Sem drama, por favor!